Guta Stresser tem 54 anos de idade nasceu em Curitiba, Paraná, no dia 28 de setembro.
Antes de virar a Bebel de A Grande Família e passar 14 anos entrando semanalmente na casa de milhões de brasileiros, Guta Stresser viveu uma situação que hoje parece quase inacreditável olhando para a carreira que construiria depois. Recém-chegada ao Rio de Janeiro, precisando de dinheiro e ainda sem experiência na televisão, ela aceitou fazer uma ponta em um clipe do É o Tchan por uma diária de R$ 70. Em determinado momento do vídeo, a câmera simplesmente parou nela e veio aquele close inesperado… anos depois, aquele rosto estaria em um dos programas mais longevos da TV brasileira.
O nome completo da atriz é Maria Augusta Labatut Stresser, e sua relação com a arte começou muito antes dessa aventura carioca. Quando adolescente, Guta sonhava em ser bailarina, usava coturnos, sobretudos e passou anos adotando um estilo punk, até descobrir no próprio colégio que o teatro fazia mais sentido para ela. Aos 13 anos, já estava nos palcos de Curitiba e chegou a atuar no Guairinha. Aos 19, tornou-se profissional em Artes Cênicas, bem antes de a televisão transformar seu apelido em um nome conhecido no país inteiro.
Curiosamente, quando decidiu tentar a vida no Rio, ela não chegou cercada de contratos ou convites para grandes produções. Vieram trabalhos menores, teatro, participações em videoclipes e aquela fase típica de quem ainda está tentando encontrar espaço. Além do É o Tchan, Guta apareceria em trabalhos musicais de artistas como Lulu Santos e Jota Quest. O contraste dessa época com o que aconteceria pouco depois é enorme, porque em 2001 surgiu uma personagem que mudaria completamente sua vida: Maria Isabel Silva Carrara, a Bebel.
Bebel começou em A Grande Família como a filha mimada de Lineu e Nenê, completamente apaixonada pelo espalhafatoso Agostinho Carrara. O que ninguém poderia imaginar era quanto tempo aquela família permaneceria reunida. Guta interpretou a personagem durante as 14 temporadas da segunda versão do programa, de 2001 a 2014, acompanhando uma transformação que aconteceu quase em tempo real diante do público. A Bebel mais jovem, cheia de roupas coloridas e jeito impulsivo, foi amadurecendo, virou mãe, trabalhou e chegou a assumir responsabilidades nos negócios da família Carrara.
Foram tantos anos interpretando a mesma mulher que atriz e personagem acabaram crescendo juntas. A própria Guta já definiu A Grande Família como um divisor de águas em sua carreira, e sua emoção na despedida do programa em 2014 deixou claro que não se tratava apenas de encerrar mais um trabalho. Para uma atriz que havia construído boa parte de sua formação no teatro, permanecer mais de uma década com uma personagem popular também trouxe uma situação curiosa: por mais papéis que viessem depois, muita gente continuaria encontrando Bebel quando olhava para ela.
Talvez por isso surpreenda saber que, apesar de tantos anos na Globo, Guta só estreou efetivamente em uma novela em 2018. Antes disso, fez produções como Amorteamo e Mister Brau, mas foi em Malhação: Vidas Brasileiras que encarou pela primeira vez a rotina de uma novela, vivendo Rosália. Ela já acumulava mais de 15 anos de televisão e, mesmo assim, estava descobrindo um formato novo. Rosália também estava bem distante da exuberância de Bebel, o que ajudava a mostrar ao público uma atriz que conseguia existir fora da personagem que a acompanhava havia tanto tempo.
Em 2020 apareceu outro desafio inesperado, desta vez longe da interpretação. Guta entrou para a Dança dos Famosos, no Domingão do Faustão, e precisou aprender coreografias de diferentes ritmos diante das câmeras. Foi justamente naquele período que começou a perceber algumas dificuldades de memória e outras mudanças que, naquele momento, ainda não tinham uma explicação clara. Dois anos depois, ela tornou público que havia recebido o diagnóstico de esclerose múltipla, uma condição neurológica com a qual passou a conviver e sobre a qual decidiu falar abertamente.

A revelação colocou Guta diante de um desafio muito diferente daqueles dos palcos. Em entrevistas posteriores, ela falou sobre aprender a respeitar o próprio ritmo, controlar situações de estresse e lidar com dias de menor disposição sem abandonar o desejo de continuar trabalhando. E talvez seja aí que sua história ganhe um contraste interessante: a atriz conhecida por uma personagem elétrica, barulhenta e cheia de energia passou a falar publicamente sobre a necessidade de fazer algumas coisas com mais calma.
Mesmo depois de tantos trabalhos, Bebel continuou aparecendo como uma espécie de fio ligando diferentes momentos de sua vida. Em 2025, aconteceu algo que a própria atriz considerou emocionante: 11 anos depois do fim de A Grande Família, ela voltou a se caracterizar como Bebel para o especial de 60 anos da TV Globo. Lúcio Mauro Filho também reapareceu como Tuco, e os irmãos da ficção foram mostrados como estariam naquela nova fase da vida. Para Guta, se olhar novamente no espelho vestida como a personagem trouxe de volta uma história que parecia encerrada desde 2014.
É curioso pensar que a atriz que um dia topou aparecer num clipe porque estava precisando da diária acabou criando uma personagem que atravessou mais de uma década, ganhou filme, virou referência do humor brasileiro e continuou reconhecível mesmo depois de anos fora do ar. Guta Stresser pode ter interpretado muita gente, mas Bebel nunca ficou exatamente no passado. Basta o cabelo, o figurino e aquele jeito conhecido reaparecerem para uma geração inteira lembrar imediatamente da família Silva e, claro, de Agostinho Carrara.
