Luana Maluf tem 32 anos de idade nasceu em São Paulo, São Paulo, no dia 8 de agosto.
Antes de transformar futebol em profissão, Luana Maluf precisou escapar de uma atividade que definitivamente não combinava com ela: o balé. Quando criança, cresceu em uma vila cercada por meninos e preferia correr atrás da bola com eles. Chegou a contar que fazia tanta questão de jogar que acabou abandonando a tentativa de seguir na dança. O futebol venceu cedo… e uma visita ao antigo Palestra Itália tratou de tornar aquela relação ainda mais séria.
Sua primeira experiência em um estádio aconteceu em 2006, em uma partida entre Palmeiras e Paraná pelo Campeonato Brasileiro. Luana tinha cerca de 11 anos e lembra de ter começado a chorar quando ouviu a torcida cantar, mesmo sem entender direito de onde vinha aquela emoção. A paixão pelo Palmeiras, herdada principalmente do pai, Fernando, acabou se tornando uma das características mais conhecidas de sua personalidade e, muitos anos depois, continuaria aparecendo até quando ela já estava sentada em cabines profissionais comentando partidas para grandes emissoras.
Mas gostar muito de futebol não significava que existia um caminho profissional óbvio pela frente. Luana se formou em Relações Públicas pela FECAP e trabalhou com criação de conteúdo em agências de publicidade, incluindo a DM9DDB. O detalhe é que a bola continuava por perto. Ela escrevia sobre futebol desde os 13 anos e começou a perceber que aquele conhecimento, acumulado quase como uma obsessão pessoal, poderia virar algo maior do que conversas entre amigos ou discussões depois dos jogos.
Foi nesse cenário que surgiu o 1×0 Feminino, canal em que passou a falar sobre futebol brasileiro e internacional numa época em que mulheres ocupando esse espaço ainda despertavam uma quantidade enorme de comentários preconceituosos. A situação era curiosa porque Luana não queria ser tratada como alguém que entendia de “futebol para mulheres”. Ela queria discutir escalação, tática, campeonato, Copa do Mundo e qualquer outro assunto da mesma forma que os homens que dominavam aquele ambiente fazia décadas.
Essa postura começou a chamar atenção fora da internet. Em 2018, durante a preparação para a Copa do Mundo da Rússia, Luana participou de um programa da ESPN e ganhou espaço justamente pela segurança com que discutia futebol ao lado de comentaristas mais experientes. No mesmo período, colaborou com o UOL durante o Mundial e já começava a circular por um universo que até pouco tempo antes parecia muito distante de uma profissional formada em Relações Públicas e trabalhando em publicidade.
O movimento ganhou velocidade. Ainda em 2018, ela já aparecia como contratada da ESPN em coberturas relacionadas ao futebol feminino e chegou a participar diretamente de Kiev, na Ucrânia, da programação da emissora durante a final da Liga dos Campeões feminina. Viajar para acompanhar grandes torneios deixava de ser apenas um desejo de torcedora e passava a fazer parte do trabalho.
Só que existe outro pedaço dessa história que ajuda bastante a explicar por que Luana ganhou espaço. Enquanto construía sua carreira na comunicação, ela também mantinha um projeto chamado Passa a Bola, que originalmente reunia dezenas de mulheres para jogar futebol semanalmente em São Paulo. O que começou no campo acabou crescendo, ganhou conteúdo digital e mais tarde se transformou também em um projeto de mídia ao lado de Alê Xavier, outra comunicadora que já possuía forte ligação com o esporte.
As duas passaram a produzir juntas conteúdo sobre futebol masculino e feminino, com uma atenção especial a uma modalidade que durante décadas recebeu muito menos espaço na imprensa. Em 2023, decidiram cobrir a Copa do Mundo Feminina na Austrália e na Nova Zelândia de uma forma nada convencional: parte da viagem foi feita em um motorhome. Vieram longas distâncias, imprevistos, paisagens australianas e até encontros com cangurus pelo caminho. Era cobertura esportiva, mas com uma linguagem muito mais próxima de quem acompanhava as duas pela internet.
A parceria profissional também se misturou à vida pessoal. Luana e Alê construíram um relacionamento, se casaram em 2024 e, no ano seguinte, anunciaram que estavam esperando a primeira filha, Antonella. A notícia acabou criando até uma discussão bem-humorada que qualquer torcedor fanático entende: para qual clube a menina torceria? Alê é são-paulina, enquanto Luana já deixou claro algumas vezes que sonha em levar a filha ao estádio do Palmeiras. Nesse assunto, aparentemente, a negociação dentro de casa não é tão simples.

Enquanto a família ganhava um novo capítulo, a carreira também dava um salto. Luana passou pela Band e trabalhou como comentarista em transmissões do Prime Video, especialmente em conteúdos ligados ao futebol feminino. A experiência acumulada entre internet, televisão e streaming acabou criando exatamente o perfil que a Globo procurava quando decidiu lançar um novo projeto esportivo voltado para o ambiente digital.
Em setembro de 2025, ela estreou como uma das comentaristas da ge TV, canal gratuito criado pela Globo com uma linguagem mais informal e conectada à internet. A primeira transmissão já veio com um tamanho considerável: Brasil contra Chile, no Maracanã, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, com Jorge Iggor na narração e Bruno Formiga também nos comentários. Para quem começou escrevendo sobre futebol ainda adolescente, havia algo bastante simbólico em chegar a uma cabine da Globo comentando a Seleção Brasileira.
E nem por isso a torcedora desapareceu atrás da profissional. Luana continua falando abertamente sobre sua ligação com o Palmeiras, embora essa paixão às vezes produza situações delicadas quando o clube vira assunto dentro da própria emissora. Em 2026, por exemplo, repercutiu ao criticar publicamente uma brincadeira feita nas redes sociais da ge TV com o time, mostrando que aquela menina que chorou ao ouvir a torcida no Palestra Itália ainda está bem presente por trás da comentarista.
Talvez seja justamente essa mistura que explique por que ela encontrou espaço num ambiente tão disputado. Luana Maluf não chegou ao futebol pela rota tradicional do jornalismo esportivo. Veio das arquibancadas, da publicidade, de um canal próprio, de projetos para colocar mais mulheres dentro do campo e de muitas horas falando sobre o esporte na internet. Anos depois, acabou fazendo exatamente a mesma coisa diante de uma audiência muito maior, só que agora com estádio lotado, microfone aberto e jogo valendo de verdade.
